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Vestes e cores litúrgicas

Cadastrada em: 02 de Março de 2010

o Apocalipse tem influência sobre a iconografia cristã e na liturgia eucarística

Por Margarida Hulshof 

   Solicito a fineza de me informar o nome das peças que compõem os paramentos usados pelos celebrantes, e o significado das cores dos paramentos, bem como o nome das peças que o Bispo usa nas solenidades, inclusive o cajado, e o que usa sobre a cabeça.        (Enviado por José B. Monteiro – Pindamonhangaba/SP.)
 
   A veste litúrgica tem uma grande importância simbólica. Não só permite que a assembléia reconheça mais facilmente as diversas funções ministeriais, mas também, por meio da mudança na aparência exterior, “introduz o povo num mundo diferente, de festa e de contemplação, mundo que só é visível aos olhos da fé”. É o que afirma Pierre Jounel no livro “A missa ontem e hoje”, explicando ainda que “a descrição da liturgia celeste feita no livro do Apocalipse exerceu grande influência sobre a iconografia cristã e sobre o desenvolvimento da liturgia eucarística”. Com efeito, em Ap 7,9, a multidão dos eleitos está “de pé, diante do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas”. 
 
   Por isso, a veste mais essencial dos ministros do altar é a túnica branca – ou “alva”. É “a veste nupcial do mundo novo, símbolo da vida em Cristo”. Ela já aparece na visão de Daniel (Dn 7,9), prefigurando a de Cristo na transfiguração (Mt 17,2). O anjo anunciador da ressurreição vestia igualmente uma túnica branca (Mc 16,5). Símbolo da purificação batismal e da vida nova pascal, é a veste típica de todos aqueles que se revestem de Cristo e se tornam nova criatura, como os novos batizados ou os que recebem a primeira comunhão; e está representada também no vestido branco das noivas, imagem do “linho puro e resplandecente” que reveste a esposa do Cordeiro (Ap 19,8). 
 
   Como oficiante do culto divino, o sacerdote lida com coisas santas. Age em nome do próprio Cristo, e por isso usa vestes especiais, que têm a função de evocar o caráter sagrado e sobrenatural de sua ação no altar. A alva também lembra a “túnica inconsútil” que Jesus usava, e sobre a qual os soldados lançaram sorte (Jo 19,23-24). 
 
   No início da Igreja essas vestes eram semelhantes às que todas as pessoas usavam, distinguindo-se apenas pela beleza e nobreza, mas não pelo estilo. Quando, no final do século V, a moda começou a mudar, introduzindo o costume oriental das calças e das túnicas curtas (camisas), as vestes litúrgicas conservaram sua forma original, tornando-se então um vestuário específico, que hoje chamamos “paramentos”. 
 
   A túnica deve cobrir inteiramente a roupa comum (ou mesmo a batina ou hábito religioso). Caso isso não aconteça, o celebrante deve vestir, antes dela, uma peça de tecido branco que se ajusta ao pescoço, chamada amito (ou amicto). A túnica é ajustada à cintura por um cordão chamado cíngulo, que pode ser dispensado se o modelo da túnica não o exigir. O cíngulo também tem um simbolismo bíblico, pois “ter os rins cingidos” representa a vigilância e a prontidão para servir a Deus. 
 
   Por cima da túnica vem outra peça essencial: a estola, uma comprida faixa de tecido que passa por trás do pescoço, com as duas pontas descendo na frente até a altura dos joelhos, e que também é presa pelo cíngulo, quando este é usado. A estola é o símbolo próprio dos ministérios ordenados, mas designa mais especificamente o presbítero, já que o bispo e o diácono têm outros sinais distintivos. Os diáconos a usam em diagonal, passando sobre o ombro esquerdo e com as pontas unidas do lado direito. A outra veste diaconal típica é a dalmática, hoje raramente usada.  A estola simboliza o serviço, lembra a toalha com que Jesus enxugou os pés dos discípulos na última Ceia. 
 
   Por fim, vem a casula, que é uma capa ampla, feita de tecido nobre e geralmente bordada com motivos sacros, e que, como a estola, traz a cor própria de cada tempo ou festa litúrgica. Depois de ter, com o tempo, sofrido sucessivos “encurtamentos” na lateral, à medida que passava a ser fabricada com tecidos mais grossos, atualmente a casula recuperou seu formato original. O conjunto “oficial” de paramentos obrigatórios ao celebrante da Missa é composto pela casula sobre a alva e a estola, “a não ser que se disponha de outro modo”, diz a Instrução Geral para o Missal Romano (nº 337). E a CNBB autorizou, no Brasil, a substituição do conjunto alva e casula “por túnica ampla, de cor neutra, com estola na cor do tempo ou da festa”. 
 
   Há ainda a capa ou pluvial, usada nas procissões e nas bênçãos com o Santíssimo, e a sobrepeliz, espécie de túnica mais curta e geralmente guarnecida de rendas nas extremidades, que pode substituir a alva na celebração de alguns sacramentos, mas deve ser usada sempre sobre a batina, nunca sobre uma roupa comum. Nas grandes concelebrações (por exemplo, nas cerimônias de ordenação), a sobrepeliz é geralmente usada pelo sacerdote que exerce a função de cerimoniário. Quanto às cores, diz a Instrução Geral sobre o Missal Romano: “As diferentes cores das vestes sagradas visam manifestar externamente o caráter dos mistérios celebrados, e também a consciência de uma vida cristã que progride com o desenrolar do ano litúrgico” (nº 338). 
 
   O branco é usado no tempo da Páscoa, no tempo do Natal, nas celebrações do Senhor (exceto a Paixão), nas celebrações de Nossa Senhora, dos Santos Anjos, dos Santos não Mártires e algumas outras ainda. É a cor da ressurreição, da alegria, da pureza e da paz. O vermelho (que lembra o sangue derramado) é usado nas festas dos Santos Mártires, no Domingo de Ramos (também chamado Domingo da Paixão), na Sexta-feira Santa (celebração da Paixão do Senhor), nas festas natalícias dos apóstolos e evangelistas, e também em Pentecostes (porque lembra igualmente o fogo do Espírito). O verde é usado nas missas do Tempo comum. Representa o crescimento na fé e a esperança que anima o cristão em sua caminhada ao longo da vida. 
 
   O roxo é usado no tempo do Advento e da Quaresma, e também nas Missas dos Fiéis defuntos. É símbolo de penitência na Quaresma, de luto nas missas pelos defuntos, e de recolhida expectativa no Advento. A cor roxa pode ser substituída pela cor rosa no 3º domingo do Advento e no 4º domingo da Quaresma, cuja liturgia tem um enfoque mais alegre. São previstos também paramentos pretos para as missas dos fiéis defuntos, embora essa cor tenha caído em desuso. 
 
   Em festas mais solenes, a cor do tempo pode ser substituída pela cor dourada. As insígnias próprias do Bispo são: o anel, o báculo (cajado do pastor), o solidéu (gorrinho redondo na cor violeta) e a mitra (chapéu alto, revestido de tecido, com duas faixas do mesmo tecido caindo sobre as costas, na parte de trás). 
 
Fontes: Instrução Geral para o Missal Romano (edição de 2003); A Missa Ontem e Hoje, (Pierre Jounel, edição de Coimbra/Portugal); A Missa Parte por Parte (Pe. Luiz Cechinato, Ed. Vozes); A Liturgia da Missa (Frei Alberto Beckhäuser, Ed. Vozes); Firmino e Libério – Pílulas litúrgicas (Alberto Aranda Cervantes e Antonio Serrano Pérez, Ed. Loyola).

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