Catequese do Santo Padre: Economia e ética
Cadastrada em:
13 de Fevereiro de 2010
importância da ética nas relações econômicas
Hoje, como todas as quartas-feiras, foi dia de Audiência Geral no Vaticano: o momento em que o papa encontra os fiéis e peregrinos provenientes de todo o mundo, que acorrem semanalmente a Roma, para ver e ouvir o pontífice e conhecer mais sobre o seu magistério. Devido à chuva que cai ininterrupta desde a noite de ontem, sobre a capital italiana, o encontro de Bento XVI com os fiéis realizou-se na monumental Sala Paulo VI. Em sua catequese, o Santo Padre reiterou que "a economia tem necessidade da ética", ao mesmo tempo em que recordou as milhares de pessoas afetadas pela crise econômica e suas consequências. O pontífice retomou, assim, a reflexão sobre sua última encíclica – a Caritas in Veritate, de 2009 – dedicada principalmente à crise econômica mundial.
Na Caritas in Veritate, além de afirmar que é necessária "uma ética amiga da pessoa" para o correto funcionamento da economia, Bento XVI também fala sobre o "grande desafio" da era da globalização, e sobre a necessidade de agir com transparência, honestidade, responsabilidade e ética. O papa dedicou sua reflexão desta quarta-feira à figura de Santo Antônio de Lisboa – ou como também era conhecido - Santo Antônio de Pádua, um dos santos mais populares da Igreja Católica, nascido em Lisboa, em 1195, e falecido em Pádua, na Itália, em 1231. "Ele conhece bem os defeitos da natureza humana - disse o papa - a nossa tendência a cair no pecado e, por isso, estimula continuamente a combater nossa inclinação à avidez, ao orgulho e è impunidade, e a praticar as virtudes da pobreza e da generosidade, da humildade e da obediência, da castidade e da pureza. Nos primórdios do século XIII, no contexto do renascimento das cidades e do incremento do comércio, aumentava o número de pessoas insensíveis às necessidades dos pobres."
Por esse motivo – explicou o pontífice – Antonio reiterava seu convite aos fieis, para que pensassem na verdadeira riqueza, na riqueza do coração. Aquela riqueza que, fazendo com que nos tornemos bons e misericordiosos, nos faz acumular tesouros no Céu. "Ó, ricos – exortava Santo Antônio – façam amigos... acolham os pobres em suas casas, pois serão estes últimos que lhes darão acolhida, na morada eterna - enfatizou o Santo Padre - onde existe a beleza da paz, a confiança da segurança, e a opulenta tranquilidade da eterna saciedade". Não é este, caros amigos – perguntou Bento XVI – um ensinamento muito importante mesmo nos dias de hoje, quando a crise financeira e os graves desequilíbrios econômicos empobrecem não poucas pessoas e criam condições de miséria?
"Antônio sempre colocava Cristo no centro de sua vida, de seu pensamento e de sua pregação", e "nos convida a contemplar os mistérios da humanidade do Senhor" – acrescentou o pontífice, ressaltando também, aos fieis e não-fieis, a imagem do Crucifixo, que pode dar à vida de todos e de cada um "um significado enriquecedor".
m Dirigindo-se aos sacerdotes, no contexto do Ano Sacerdotal em andamento, Bento XVI exortou-os a "atualizarem" suas homilias aos fieis, esclarecendo que o sermão é "como uma relação de amor com o Senhor", que "precisa de uma atmosfera de silêncio, o que não significa apenas a ausência de ruídos, mas sim uma experiência interior que afasta as distrações do mundo
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